O Rótulo na Infância

O Rótulo na Infância

POR QUE ROTULAR UMA CRIANÇA PODE TRAZER CONSEQUÊNCIAS PARA A UMA VIDA TODA?

Como médica e mãe julgo a temática do diagnóstico x rótulo na área de saúde como algo muito importante e que requer muita sensibilidade, principalmente quando estamos diante de questões do neurodesenvolvimento.

A lógica de quanto mais cedo o diagnóstico, mais rápida a intervenção e tratamento esbarra nas questões de natureza familiar e psíquica que seguem um caminho tênue e delicado.

A tirinha traz à reflexão centrada na pessoa! Temos que olhar o ingrediente e não o rótulo!

Quantas pessoas passaram a vida sendo rotulados e por trás havia alguma característica peculiar a ser trabalhada. Para exemplificar os rótulos:

– Preguiçoso(a) ou, no mundo da lua, (TDA-Transtorno de déficit de Atenção);

– Burro(a) ou desatento(a) (Dislexia);

– Esquisito(a) ou estranho(a) (TEA- Transtorno do Espectro Autista);

-Briguento(a) ou do contra (TOD- Transtorno Opositor Desafiador).

Autismo, TOD, TEA, dislexia são apenas palavras que ajudam a entender como lidar, o que esperar e o que necessita melhorar para cada pessoa. E nesse caso, pode ajudar o individuo a se conhecer melhor, se entender diante das dificuldades que a vida impõe e isso é libertador!
Partindo da hipótese de que o diagnóstico, muitas vezes, é percebido como um rótulo que marca o destino do sujeito.

O rótulo, muitas vezes, torna-se uma descrição definitiva da pessoa, como um destino, com danos que perduram na vida do sujeito.
Refletir sobre o possível efeito na desconstrução do rótulo de forma equilibrada no ambiente familiar, escolar e na sociedade é necessário. Como Oakes observou: “Uma vez que rotulamos uma pessoa, mudamos a nossa opinião sobre esta pessoa. Isto afeta como nós agimos e reagimos em relação a ela. Rotular é fácil. Nós não temos como conhecer a pessoa. Nós apenas supomos como a pessoa é”. Essa forma de pensar está na base do preconceito porque quando não se conhece bem alguém não se pode saber o porquê de suas atitudes. Como quando um aluno que não presta atenção na aula e não faz lições, muitas vezes, é visto pelos amigos e professor como desinteressado e assim será tratado como tal, não mostrando suas capacidades.
Como mãe de duas crianças, facilmente rotuladas nos dias atuais, sigo buscando o equilíbrio que traga sempre o melhor apoio emocional e social. Que eu possa ajudá-los no seu desenvolvimento e independência. Reafirmando sempre que eles possam ter orgulho de quem são (independente do diagnóstico Y ou Z). O objetivo é dar suporte e guiar seus caminhos para serem o melhor que puderem ser!

O mundo atual infelizmente está tão carente, que precisa rotular tudo e a todos. Os rótulos não resumem a vida de ninguém e está longe de podar as suas habilidades. No entanto, o caminho trilhado pelo diagnostico sempre será importante, pode ajudar o indivíduo a se conhecer e, através das ferramentas e intervenções adequadas, atingir todo o seu potencial e todas as suas habilidades.
Vivemos em uma sociedade que segue padrões, e caso você seja diferente, você será rotulado. Mas qual o problema de ser diferente? Afinal, o que importa é o ingrediente!

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