“Probióticos na prevenção primária e secundária de infecções por C. difficile: metanálise e revisão sistemática” – Antibiotics (Basel)- 2015

“Probióticos na prevenção primária e secundária de infecções por C. difficile: metanálise e revisão sistemática” – Antibiotics (Basel)- 2015

A colite pseudomembranosa, causada pelo Clostridium difficile, pode cursar com formas graves, refratárias ao tratamento usual com antibióticos. A eficácia do papel de probióticos no manejo da doença ainda é pouco conhecida. Trazemos hoje a análise de uma revisão sistemática para discutir o tema.

Título

“Probióticos na prevenção primária e secundária de infecções por C. difficile: metanálise e revisão sistemática” – Probiotics for the Primary and Secondary Prevention of C. difficile Infections: A Meta-analysis and Systematic Review Antibiotics (Basel). 2015 

Cenário Clínico:

Paciente idoso com internamento recente em outra instituição e uso de antibiótico chega a esse serviço com quadro diarreico que foi atribuído a uma colite pseudomembranosa. Ao longo do internamento o paciente não responde de maneira satisfatória à antibioticoterapia, sendo levantada em visita qual seria o papel do uso de probióticos no manejo dessa enfermidade.

PICOTS: 

P: idosos, internados, com o diagnóstico de colite pseudomebranosa

I: uso de probióticos em associação ao ATB + suporte

C: uso de ATB + suporte

O: mortalidade, melhora da diarreia (intensidade ou duração dos sintomas)

T: efeitos colaterais (plenitude gástrica, eructações e infecções fúngica)

S: revisão sistemática de ensaios clínicos randomizados

Pergunta Condutora:

Em um paciente idoso diagnosticado com colite pseudomembranosa, seria o uso de probiótico em associação à antibioticoterapia capaz de reduzir intensidade ou duração da diarreia?

Estratégia de Busca:

Pubmed:

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed

Termos: systematic[sb] AND (clostridium difficile probiotic) 

Resultados: 27 artigos (24/11/2019)

Cochrane Lybrary:

https://www.cochranelibrary.com/

Termo de pesquisa: “clostridium difficile” e “probiotic”

Resultados: 2 artigos (24/11/2019)

Resultados: 29 revisões sistemáticas, 2 revisões sobre o tema desejado. Apenas uma com menos de 10 anos de publicação.

Resultado da Pesquisa:

 

Sumário da Evidência:

A análise da revisão sistemática estudada mostrou que a mesma tem altíssimo risco de viés. Não apresentou a pergunta objetivamente. Parece ter sido realizada por apenas um avaliador, não apresentou de maneira adequada os critérios de exclusão e inclusão dos artigos ou a análise do risco de vieses de forma adequada, sendo a ausência de restrição linguística o único ponto louvável. Não foram usados dados individuais de pacientes e há conflitos de interesse.

Apesar da pequena quantidade de informações trazidas no texto os estudos analisados na revisão parecem (a luz do pouco exposto) ter uma qualidade minimamente razoável. A metanálise não foi capaz de mostrar um impacto positivo da intervenção e os efeitos adversos não foram abordados.

Aplicabilidade:

A intervenção é acessível e viável, mas ainda precisa de uma melhor evidência e de uma análise de seus efeitos colaterais para que se possa pensar em utilizá-la na prática clínica. Se trata de uma intervenção amplamente disponível e com custo acessível à maioria dos serviços de saúde.

Conclusão Clínica:

Baseado no estudo trazido, não é possível tirar qualquer conclusão, visto o alto nível de viés da revisão, eu não recomendaria o uso da intervenção pela falta de evidência que a suporte. É válido considerar que a colite pseudomembranosa pode cursar de maneira grave e – nos casos em que o paciente não responde à terapia padrão – somos tentados a buscar alternativas, porém temos de manter nossas decisões racionai. Ainda são necessárias melhores evidências, porém à luz do que está disponível na literatura, não há dados objetivos que suportem o uso de probióticos.

Referências:

McFarland, Lynne V. “Probiotics for the Primary and Secondary Prevention of C. difficile Infections: A Meta-analysis and Systematic Review.” Antibiotics (Basel, Switzerland) vol. 4,2 160-78. 13 Apr. 2015

doi10.3390/antibiotics4020160

Avaliador:

Domingos Sávio do Rêgo Lins Junior

MR1 de Clínica Médica – Hospital Miguel Arraes

Instagram: @linsjr.domingos

 

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