Qual a semelhança entre Atlântida e o tratamento da Covid-19?

Qual a semelhança entre Atlântida e o tratamento da Covid-19?

Você já deve ter percebido que existe divergência de opiniões sobre o uso de Hidroxicloroquina, Ivermectina e Azitromicina para a COVID-19.

Quando se questiona a alguns médicos sobre o uso dessas medicações para o tratamento da COVID-19, você já deve ter se deparado com a seguinte resposta: não existe EVIDÊNCIA que suporte o uso dessas drogas…

Mas e o que é evidência?

Vou tentar explicar qual a diferença entre evidência científica e relatos espúrios, que se encontram facilmente nas mídias, através da lenda de Atlântida.

São várias as opiniões sobre a existência ou não desse território. Atlântida era uma pequena ilha no Mediterrâneo, que se situava no meio do oceano de quem recebeu o nome, oceano Atlântico, em frente às portas de Hércules. Um dia, foi destruída por uma erupção vulcânica que a fez deslizar para dentro do Golfo do Corinto, depois de um terremoto.

O problema é que nenhuma das teorias podem ser comprovadas, pois não há restos arqueológicos (evidência) que possam ser identificados que comprovem a existência de Atlântida. Mas por que, então, os homens continuam a procura desse lugar ou persistem insistindo que ela existiu?

Lendas que são contadas várias vezes, são geralmente aceitas por pessoas comuns, pois os relatos espúrios, que enganam os inocentes, são facilmente encontrados em sites de busca na internet, de fácil entendimento e agradável ao serem lidas ou ouvidas,  ao passo que as abordagens céticas são muito mais trabalhosas e difíceis de achar. E o que seriam, então, essas abordagem céticas?

São justamente a EVIDÊNCIA que, no caso em questão, nos mostre o deslocamento do fundo do mar ocasionado pela movimentação das placas tectônicas, bem como, o mapeamento do fundo do mar mostrando de forma inequívoca a possibilidade de existir um continente entre a Europa e Américas em um período de tempo em que se aproxime da escala de tempo proposta.

Tais relatos “falsos” são escritos de forma leve, que traz a mente humana uma ilusão de bem estar e pensamentos positivos que tornam essas estórias muito mais palatáveis, enquanto que o ceticismo é sempre algo que não vende bem, pois não traz um conforto cognitivo, destrói a imaginação e leva ao devaneio dos humanos.

Uma pessoa inteligente e curiosa, que se baseie inteiramente na cultura popular para se informar sobre uma questão, tem uma probabilidade centenas, milhares de vezes maior de encontrar uma fábula tratada de maneira ACRÍTICA em lugar de uma avaliação sóbria e equilibrada, isso é muito comum e perigoso na formação das opiniões.

Portanto, e infelizmente, grande parte das pessoas precisariam ser mais céticas a respeito das leituras as que têm acesso, uma vez que, se tem aceitado muito de forma acrítica as fontes de informação que são repassadas e, dessa maneira, as tomas de forma ingênua como verdade absoluta.

Retornando ao dilema do COVID, para algo ser aceito como verdade, à luz da ciência,  é fundamental que se prove que os tratamentos medicamentosos, tão comentados nos dias atuais, são eficazes. Nesses casos, o ônus da prova é para quem acusa (que esses remédios funcionam contra o COVID). Não cabe aqui a retórica espúria que se prove que NÃO funciona, pois para a verdade científica, já parte-se do pressuposto que tais medicamentos NÃO são eficazes. E isso é não ter evidência científica. 

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